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Resenha do Livro: Revolução das Plantas, de Stefano Mancuso

Atualizado: 9 de mar.

O que podemos aprender com as plantas? Stefano Mancuso apresenta, de maneira muito interessante, diversos ensinamentos que esses seres milenares podem nos presentear.

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Confira a resenha do livro Revolução das Plantas, de Stefano Mancuso, traduzido por Regina Silva e publicado pela Ubu Editora em 2019.


As primeiras células vegetais surgiram na Terra muito antes dos seres humanos. Versões primitivas das plantas, como conhecemos hoje, surgiram na água e posteriormente migraram para o solo há milhões de anos. 


Tantos anos de sobrevivência e evolução acumularam nas plantas sabedorias milenares, que, graças a cientistas e estudiosos botânicos, atualmente podemos ter acesso. 


Escrito por Stefano Mancuso, cientista e fundador do LINV — International Laboratory of Plant Neurobiology, um laboratório destinado ao estudo da neurobiologia vegetal — a obra apresenta, com uma escrita didática e fluida, as mais recentes descobertas científicas sobre o mundo vegetal e como elas podem servir de modelo para a humanidade. 


E mesmo se tratando da apresentação de dados científicos, a leitura não é maçante nem difícil, pelo contrário, é interessante, leve e bem-humorada.


“De fato, elas são um exemplo de modernidade; e o propósito desse livro é deixar isso claro”.

Segundo pesquisas, as plantas têm memória mesmo sem ter cérebro; elas também conseguem ver, mesmo sem ter olhos; utilizam a mimese (imitação) a seu favor, quando necessário, além de conseguirem se movimentar, mesmo estando enraizadas. É surpreendente os fenômenos que acontecem no interior das plantas e o quanto eles têm a nos ensinar.



Um exemplo é a maneira como elas coexistem na natureza, convivendo com as diferenças, se comunicando e colaborando umas com as outras em um processo de evolução e sobrevivência, chamado pelo autor de democracia verde. Um sistema na qual as plantas vivem em comunidade, cooperando entre si, dividindo experiências e desenvolvendo uma espécie de inteligência coletiva. 


“A ideia de que a democracia é uma instituição contrária à natureza, portanto, permanece apenas como uma das mais sedutoras mentiras inventadas pelo homem para justificar a sua, antinatural, sede de poder individual”.

Mas, os estudos mais surpreendentes ficam para os que envolvem a bioinspiração, também conhecida como biomimética. Através da observação de como as plantas agem e reagem a certos fenômenos, são desenvolvidas soluções semelhantes para atender necessidades humanas. Alguns projetos muito interessantes nesse sentido são citados no livro, demonstrando quanta inovação, tecnologia e avanços a ciência já fez a partir dos aprendizados e comportamentos das plantas.


“Acredito que há muitas boas razões para imitar o reino vegetal. As plantas consomem pouca energia, fazem movimentos passivos, são “construídas” em módulos, são robustas, tem uma inteligência distribuída (em oposição aos animais, a qual é centralizada), comportam-se como colônias”.

Ter conhecimento de todos os estudos e avanços científicos no universo vegetal, nos coloca de frente com um novo mundo. Que, além de interessante e encantador, desperta mais empatia e respeito às plantas, que nos cercam e nos beneficiam tanto em diversos sentidos. É urgente a conscientização da importância da natureza, sua finitude e nossa obrigação de preservá-la.


É cada vez mais necessário nos aproximarmos da natureza e buscarmos fazer as pazes com ela. 


Voltar ao natural e às nossas origens é um exercício importante para tentarmos curar a cegueira botânica a que todos somos induzidos desde muito cedo. 


Afinal, elas estão presentes em tudo à nossa volta: nas roupas que vêm do algodão, nos móveis de madeira, no papel, na pigmentação de tintas e cosméticos, em insumos para remédios, no ar que respiramos… Tudo é planta! E mesmo assim conseguimos ignorar isso de alguma maneira, tratando esses seres como ornamentais em casa ou algo que valorizamos quando “estamos na natureza”.


“Em outras palavras, pelo menos 80% do peso de tudo que está vivo na Terra é composto de vegetais. Uma porcentagem que é a medida única e incontestável de sua extraordinária capacidade de afirmação”.

Recomendo muito essa leitura e a expansão do olhar para esse tema.


Deixo aqui o link para adquirir o livro e ainda ajudar o Raízes: Revolução das plantas: um novo modelo para o futuro, de Stefano Mancuso, na Amazon.


Aqui estão links para demais obras do autor publicadas no Brasil: A planta do mundo e A incrível viagem das plantas.


Para saber sobre o tema e sobre o autor:

  • A edição de 2021 da Flip teve como tema "Nhe’éry, plantas e literatura" e o autor Stefano Mancuso esteve presente, falando sobre Literatura e Plantas. Confira aqui nesse vídeo a conversa completa.

  • Se você ficou curioso sobre a biomimética, indico muito esses dois conteúdos para entender melhor sobre o tema, que é muito interessante:

> Vídeo da Escola de Botânica, que explica o que é a biomimética e suas formas de aplicação;

Quem escreve

Adriana Ferreira é de Campo Bom, no Rio Grande do Sul. Formada em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo Digital e mestranda em Processos e Manifestações Culturais, com bolsa CAPES e pesquisa nas áreas de literatura, feminismo e interseccionalidade. Idealizadora do Raízes, é quem escreve e publica resenhas, críticas literárias, artigos sobre mercado editorial, dados do livro, incentivo a leitura e mais. Membro fundadora e responsável pela comunicação da Associação Literária de Campo Bom.


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