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Série de Conteúdo: Adorado Objeto Livro - O que são ISBN e Ficha Catalográfica?

Atualizado: há 11 horas

Neste texto, vamos aprender tudo sobre ISBN e Ficha Catalográfica, dois itens obrigatórios em livros e com grande relevância no mercado editorial.

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Foto de acervo pessoal

Série de Conteúdo: Adorado, Objeto Livro - O que são ISBN e Ficha Catalográfica?


O objetivo aqui é apresentar o que são ISBN e Ficha Catalográfica, itens obrigatórios na publicação de um livro.


Conteúdo ideal para leitores mais curiosos e também para escritores e escritoras que vão publicar seu primeiro livro. Confira os demais textos da Série de Conteúdo: Adorado Objeto Livro aqui.


Quer ajuda com sua primeira publicação? Vamos conversar?


Quem ama ler, ama ter e conviver com livros, muitas vezes esquece que eles são produtos. Apesar de toda sua relevância para nós e muitas vezes, do valor sentimental que depositamos neles, os livros são as mercadorias do mercado editorial. E sua produção passa por diversas etapas e precisa seguir regras do setor, para que sua circulação e comercialização aconteçam da melhor forma.


Entre esses processos, o registro do ISBN e criação da Ficha Catalográfica de uma obra são etapas obrigatórias na produção editorial.


O código ISBN permite o controle de circulação e vendas de cada edição, servindo também como base para a criação das listas de mais vendidos.


Já a ficha catalográfica serve para armazenar e localizar corretamente um livro em um acervo, seja ele uma biblioteca ou estabelecimento comercial, corretamente conforme sua temática e formato.


Vamos conhecer melhor como esses itens são aplicados e como surgiram no mercado editorial.


Começaremos entendendo o que é o ISBN


ISBN é a sigla para International Standard Book Number (Padrão Internacional de Numeração de Livro) e nada mais é do que o número de registro de obras. Como se fosse o RG do livro, o ISBN é uma sequência numérica que identifica e individualiza cada publicação. Sendo, portanto, de uso único e intransferível.


Por ser reconhecido no mundo todo, seu uso facilita demais a catalogação e identificação de obras por varejistas, livreiros e bibliotecas. O código é composto por uma combinação de 13 dígitos que indicam o título, o autor, o país, a editora e a edição de uma obra.


Vamos conhecer o código e o que cada parte significa:

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Exemplo de ISBN | Fonte: CBL
  • Os três primeiros dígitos do código identificam o tipo de produto, também chamado GTIN. No caso, o 978 significa que é um livro;

  • Os dois dígitos seguintes representam o grupo registrante, isto é, o país da publicação. Até 2019, o Brasil utilizava o número 85, mas desde 2020, após um período de transição, o código foi alterado em definitivo para 65;

  • A próxima sequência de dígitos indica o elemento registrante, ou seja, a editora ou pessoa física responsável pela publicação da obra. Essa sequência pode ter até 7 dígitos, dependendo da quantidade de publicações.

  • Os dois dígitos seguintes representam a edição da publicação;

  • E,por fim, o último número é um dígito de controle que garante a exclusividade do código. Também chamado de dígito verificador.


A aplicação do ISBN em livros impressos é feita, normalmente, na quarta capa, acompanhada da representação em código de barras. Mas também o encontramos na folha de rosto, páginas de direitos autorais ou em jackets e cintas.


E não são só livros que podem ter um registro de ISBN. Segundo a Agência Brasileira do ISBN, o registro vale para diversas publicações, como anais, artigos, capítulos individuais, mapas, entre outros; e nos mais variados formatos: impressos, ebook, pdf, etc. Aqui está uma lista completa dos tipos de obra que podem receber ISBN.


Como o ISBN representa uma edição exclusiva, em caso de novas edições da obra a editora ou produtor independente deve fazer o registro de um novo código ISBN. Portanto, se a edição teve alteração de conteúdo, ganhou uma nova capa ou teve algum acessório adicionado como cinta ou brinde, configura-se uma nova edição que necessita de um novo registro.


Uma curiosidade do mercado editorial sobre isso é o cuidado estratégico que existe ao ser produzida uma nova edição de um livro. Isso porque a lista de livros mais vendidos é criada com base nas vendas por ISBN. E, a partir do momento que o mesmo livro é reimpresso, mas com novo código ISBN devido a ajustes na edição, suas vendas não são somadas ao volume de vendas do código anterior. Podendo assim retirar um item da lista de best sellers.


E como não é necessário a criação de um novo ISBN para o caso de reimpressões de edições inalteradas ou com alterações muito pequenas, muitas vezes esse é o caminho mais seguro pensando em estratégias comerciais.


Mas, como surgiu o ISBN? Segundo pesquisas, as conversas sobre a necessidade de uma padronização para identificação de livros aconteceram em Berlim, na Terceira Conferência Internacional de Pesquisa de Mercado de Livros e Racionalização no Comércio de Livros, de 1966. Profissionais do mercado editorial que participaram do evento levantaram a necessidade de uma maneira automatizada de controle de vendas e estoques de livros, que até o momento era feita de forma analógica.


A partir disso, em 1967, a editora familiar J. Whitaker & Sons, do Reino Unido, lidera o projeto de estudos para a criação do International Standard Book Number (ISBN). Na época, a empresa já organizava os códigos de todos os livros no país, por isso tinha conhecimentos para propor um sistema amplo. No ano seguinte, 1968, o Comitê de Documentação Técnica 46 da Organização Internacional de Normalização (ISO) começa estudos para avaliar a viabilidade de adaptar o sistema para uso internacional. Sendo aprovado em 1970 como norma ISO 2108.


Já em 1971, começam a surgir as agências internacionais do ISBN, que ficariam responsáveis por implementar o código nas obras publicadas em seus respectivos países. Em 2005, mais de 160 países já haviam adotado o código ISBN. Atualmente, mais de 200 países utilizam o registro que de fato transformou o mercado editorial. Com impacto positivo na produção, distribuição, análise de vendas e registro dos dados bibliográficos.


A implementação do ISBN no Brasil aconteceu em 1978 com a criação da primeira Agência Brasileira do ISBN, que era gerida pela Fundação Biblioteca Nacional até 2019. Na época, a adoção do ISBN foi incentivada pelo Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc). Em 2020, a Agência Brasileira do ISBN passou a pertencer à Câmara Brasileira do Livro (CBL), que apresentou um novo sistema para a solicitação de registros.


Sobre a solicitação de ISBN: O código pode ser solicitado por pessoas jurídicas (mesmo não sendo editoras) ou pessoas físicas, que queiram divulgar qualquer material monográfico, como livros, apostilas, etc. O pedido do código pode ser feito pelo próprio site da ABL, sendo necessário fazer o registro do solicitante e da obra, para o código ser gerado.


Atualmente, segundo informações no site da CBL, o prazo da solicitação até o recebimento do código pode levar mais ou menos 5 dias úteis e custa R$ 22,00 por código gerado. E não é necessário ser sócio da CBL para fazer a solicitação.



E sobre a Ficha Catalográfica…


Presente obrigatoriamente em todos os livros publicados, a ficha catalográfica nada mais é do que um documento que agrupa as principais informações sobre o livro, facilitando sua identificação e localização em diferentes acervos.


A ficha é criada por profissionais de Biblioteconomia, seguindo as regras do Código de Catalogação Anglo-Americano (AACR2). Nela deve constar o nome do autor, título, assunto, editora, local, ano de publicação, ISBN e assuntos. E também o nome do bibliotecário responsável com o número do CRB (Certificado Regional de Biblioteconomia) ativo conforme Resolução 184/2017 do Conselho Federal de Biblioteconomia. A disposição dessas informações na ficha também segue um padrão e não pode ser alterada.


Exemplo-Ficha-Catalográfica-Fonte-CBL
Exemplo Ficha Catalográfica | Fonte CBL

No Brasil, a ficha catalográfica pode ser solicitada para a CBL (Câmara Brasileira do Livro), para o SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), ou ainda para profissionais de biblioteconomia que prestam esse serviço pontualmente. E o recomendado é que ela seja aplicada ao livro exatamente como é entregue pelo profissional que a criou. Porém, o que se vê no mercado é a adequação da formatação dos dados da ficha (principalmente tipo e tamanho da fonte) para adequá-la ao layout do livro. O fundamental, porém, é não alterar a disposição das informações.


O surgimento da Ficha Catalográfica no Brasil aconteceu após a publicação do livro: "Regras bibliográficas: ensaios de consolidação”, em 1934, de Jorge Duarte Ribeiro. Que instigou os primeiros estudos e discussões sobre a necessidade de haver um código nacional de catalogação.

As décadas seguintes, de 40 até 60, são marcadas por debates sobre a regulamentação da profissão de Biblioteconomia no país e demais temas de interesse, como a implementação de um padrão para a catalogação de obras. Mas é somente em 1970 que a importância da CIP — Cataloging in Publication é destacada.


Foi Regina Carneiro, a primeira bibliotecária-chefe no departamento de catalogação da Câmara Brasileira do Livro, que trabalhou com editores e livreiros pela adoção da “Catalogação na Fonte”. Em 1976, a CIP — Cataloging in Publication — é estabelecida internacionalmente, mas chega ao Brasil apenas em 2003, 27 anos depois. Com a Lei do Livro, nº 10.753, de 30 de outubro, a ficha catalográfica passa a ser obrigatória em todas as publicações.

Desde então, todas as obras publicadas contam com a ficha catalográfica, normalmente impressa no verso da folha de rosto. Com as principais informações da obra, ela orienta a localização da obra nos mais diversos acervos.


E aí, você já conhecia o que eram ISBN e Ficha catalográfica? Envie suas dúvidas ou comentários. E se precisar de ajuda com sua primeira publicação, entre em contato!

Quem escreve

Adriana Ferreira é de Campo Bom, no Rio Grande do Sul. Formada em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo Digital e mestranda em Processos e Manifestações Culturais, com bolsa CAPES e pesquisa nas áreas de literatura, feminismo e interseccionalidade. Idealizadora do Raízes, é quem escreve e publica resenhas, críticas literárias, artigos sobre mercado editorial, dados do livro, incentivo a leitura e mais. Membro fundadora e responsável pela comunicação da Associação Literária de Campo Bom.


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